1 de setembro de 2020

A descoberta do outro

Eu, quando criança, andando nos primeiros passos do meu narcisismo, duvidava da existência real das outras pessoas. Era como olhar nos olhos de alguém e não ver ninguém por trás; algo perigoso, que poderia gerar em mim a sensação de que nem todo ser humano sabia existir.

Algo que me encaminhava para o egoísmo.

Depois, vim a perceber que tudo o que eu fazia gerava reações nos outros, e interpretei tais respostas como instintivas daqueles que, quando atacados, atacam, e, quando acariciados, acariciam. Isso ainda não provava a existência consciente do outro.

No entanto, com o tempo, vim a perceber que nem sempre o ódio que eu sentia era respondido com mais ódio - e isso me chocou. A figura central dessa compreensão é minha vó Teresa, que já partiu para estar com o Senhor.

Quando eu a tratava bem, ela me amava; quando eu a tratava mal, fazendo birra, ela também me amava! Isso é o que chamamos de mimar alguém, mas, curiosamente, serviu para o propósito maior de me revelar que existe gente atrás dos olhos que me olham.

Serviu para eu descobrir o outro, porque havia uma consciência ali cuidando de mim.

Hoje, sendo já homem, percebo que minha vó não era perfeita - mas que o amor é. Percebo, também, que muitas vezes fiz o contrário que o exemplo amoroso dela me deu - quantas vezes tratei com desprezo quem só queria me amar!

Mas, assim como a sabedoria da minha vó me ensinou a existência de outras consciências, o meu próprio egoísmo me ensinou a existência daquela que é a grande consciência: Deus.

Se conheci alguém que não tinha seu amor por mim perturbado com más ações, Deus é quem não tem seu amor perturbado por nenhum de nós! Procure por Romanos 8:37-39 na bíblia.

Deus é inabalável no seu amor por nós. Transformou nossa ira contra Cristo em salvação, por exemplo, e essa é a prova maior da existência de uma consciência por trás dos olhos de Deus.

"Porque o amor cobrirá a multidão de pecados."(1 Pedro 4:8).

Então, ao pensar na própria dor, lembre-se que há outros olhos, de gente igualmente dolorida. Lembre-se, também, que sobre todos nós há o Amor, que nos ama ainda que nós sejamos absoluto ódio contra Ele. Lembre-se da salvação.

"A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo." (Romanos 10:9).

23 de junho de 2020

Os hutus, os tutsis e a resposta à opressão

Abomino a frase "não devemos confundir a reação do oprimido com a violência do opressor” e vou explicar o porquê com um exemplo histórico.

Em 1994, cerca de 1 milhão de pessoas foram assassinadas e por volta de 500 mil pessoas foram estupradas em alguns dias, no que ficou conhecido como Massacre de Ruanda.

Em resumo, isso ocorreu porque a maioria étnica hutu, geralmente inferiorizada pelos colonizadores belgas, se revoltou contra a minoria étnica tutsi - que majoritariamente ocupava os cargos de poder antes da independência do país, ocorrida em 62. 

A revolta dos outrora oprimidos hutus, portanto, matou cerca de 70% da população tutsi.

Estou dizendo isso porque a relação "oprimido vs. opressor" facilmente se inverte quando há legitimidade ideológica para a barbárie. 

Levando isso em consideração, o opressor do passado se torna o oprimido do presente e crê que pode renovar o embate, dizendo: "tenho o direito de bater em quem me agrediu".

Ora, só há uma maneira de quebrar esse ciclo de ódio! 

"Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses; E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir." (Lucas 6:27-30)

Quem disse isso foi Aquele que, de fato, tem o direito de julgar todos os homens - e que escolheu morrer por amor a nós, mesmo sendo nós seus inimigos.

"Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca." (Isaías 53:7)

Eis a resposta de Cristo à opressão.

Mas a salvação é resposta dada apenas aos que creem Nele. Porque, para os que não creem, ele agirá com justiça contra a impunidade geral das opressões contínuas.

"Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus." (João 3:18)

E então: como pretende que a sua opressão seja respondida?

14 de maio de 2020

Bilhete pensando naqueles que "vestem-se de violência como de adorno"

Não se orgulhe do seu caráter violento. Não considere corajosa a sua postura de atiçar guerras e arquitetar contendas por onde passa; essa, pelo contrário, é apenas a índole covarde de quem não consegue habitar a paz e por isso quer transtorná-la.

Digo isso porque, cansado por ver a belicosidade de alguns homens que se dizem cristãos, repito em meu coração o versículo 6 do Salmo 120 ("A minha alma bastante tempo habitou com os que detestam a paz") e pergunto:

Por que vocês detestam a paz?

Por que a vossa língua enrola-se no cardume das horas e o veneno escorre viscoso pelo vosso queixo?

Por que usam o santo nome de Deus para justificar vosso odor de morte?

Eu também fico com raiva, claro. Mas não me orgulho disso, pelo contrário, me envergonho quando acontece.

"Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus" (Tiago 1:20).

Qual é, portanto, a razão em haver vaidade nos que se fazem filhos da guerra?

Mesmo que os mais raivosos tenham posição de destaque em nosso século doente, não devemos louvá-los; mesmo que os mais raivosos ganhem prêmios, não devemos segui-los.

Já que "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus", conforme Mateus 5:9.

Nós, tais filhos de Deus, fomos chamados para a paz.

10 de abril de 2020

21 de janeiro de 2020

Os vencedores que não disputaram

Embora eu seja brasileiro, nunca participei de uma copa do mundo de futebol. Mesmo assim, já ouvi muitos dizerem, cada qual da sua forma, que "no futebol somos pentacampeões do mundo". 

Pergunto a vocês: nós quem? Ora, nós, os que torcem pelo Brasil! Mas se nós, individualmente, não estávamos no campo de futebol quando a vitória ocorreu, por que ganhamos?

Ganhamos porque a identificação da vitória no esporte ocorre a partir da exibição simbólica de um grupo, geralmente chamado de "time", que representa no jogo uma amostra maior de indivíduos, chamada de "torcida". 

Explicando de forma mais simples, todos os que torcem para o Brasil vencem quando onze brasileiros vencem. É como se fosse uma vitória por amostragem.

Essa vitória por amostragem me lembra a vitória de Cristo na cruz.

"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." - João 16:33

Porque foi na cruz que Jesus venceu o mundo, e venceu o príncipe deste mundo, fazendo com que sua torcida, a igreja, vencesse com ele. 

E por igreja entendo todos os que creem em tal vitória, independente de religião. 

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." - João 3:16

"Todo aquele que nele crê", por sua vez, é uma frase que justifica porque nem todos os brasileiros vencem quando onze brasileiros vencem, mas, apenas os que torcem para o Brasil. Qual a diferença?

A diferença é que há brasileiros que não torcem para o Brasil, pelo contrário, e o mesmo ocorre com Cristo; pois, mesmo ele vindo como humano, nem todos os humanos torcem por ele.

Sem falar naqueles que não acreditam na vitória de Cristo como vitória de si mesmos, como alguém que dissesse "Pelé coisa nenhuma; se eu não joguei em 1970, eu não venci".

Sendo que nossa vitória existiu e existe porque Cristo é o único que podia jogar esse jogo e vencer! Ou você acha que "seleção brasileira" tem esse nome à toa? Cristo é a seleção de Deus, jogando pelo Reino dos Céus. Eis nossa seleção! Eis nossa vitória!

"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono." - Apocalipse 3:20,21

Amém!

13 de dezembro de 2019

Adão, quando interpelado pelo Senhor, disse que a culpa pelo pecado original foi de Eva; Eva, por sua vez, culpou a serpente. Assim somos nós, diante dos nossos pecados, buscando cobrir o nosso mal com o "mal pior" do próximo.

Por isso, diante do escárnio dos comediantes deste mundo, diante dos religiosos, diante de Eva, diante de Adão, diante de Deus, o que importa é fazer a confissão feita por Paulo:

"Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." - 1 Timóteo 1:15

4 de dezembro de 2019

Diante das catástrofes

É comum, ao vermos catástrofes acontecerem, julgarmos com muita certeza os culpados. Quem está no espectro político conservador, por exemplo, une-se aos seus iguais para culpar os que são de esquerda; do mesmo jeito, aqueles que se dispõem politicamente ao lado esquerdo unem suas armas para julgar os conservadores.

Dessa forma, cada lado cria muralhas e espadas com os cadáveres da catástrofe. Há, de fato, alguém atento ao desenrolar das mortes ou apenas queremos mostrar nossa própria e aparente sapiência? Há alguém interessado?

Claro que há. Há Deus.

Em sua Palavra, Deus diz que "preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos" (Salmos 116:15) e diz que “desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?" (Ezequiel 18:23). Existe, logo, uma distinção para os que morrem, uma distinção que conhecemos pela fé, sem podermos ver seu fim.

Se conhecêssemos a história de um homem que, sem culpa, foi entregue por Deus para ser açoitado e pregado em uma cruz, talvez ficássemos indignados com Deus. Agora, conhecendo a completude do plano que envolvia tal morte e vendo como são feitas novas todas as coisas a partir da ressurreição de tal homem, posteriormente compreendemos. Não será assim, também, com todo o resto da história?

Diante da eternidade a vida humana é um sopro. Assim sendo, aqueles que morrem só carregam de si mesmos uma decisão valorosa, "a saber: se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Romanos 10:9).

A discussão sobre as catástrofes, portanto, é infrutífera, porque não conhecemos seu desenrolar completo na eternidade. Deus se agrada da morte dos santos e se desagrada da morte dos ímpios, disso sabemos; mas como saber, agora, para qual fim foi erigida uma tragédia?

Esse tipo de postura é inaceitável para os descrentes, porém, porque eles só têm o mundo presente. Para eles tudo o que vale está aqui, no planeta corrompido em que vivemos, não fazendo sentido o plano eterno. Não é para incrédulos que escrevo este texto. Escrevo para os que, crendo em Cristo como Salvador, não sabem como lidar com as catástrofes do mundo. 

"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo", como diz o Senhor, em João 16:33.

Dessa forma, fiquemos em paz.

Deus conhece os que são Dele.

Amém!