21 de janeiro de 2020

Os vencedores que não disputaram

Embora eu seja brasileiro, nunca participei de uma copa do mundo de futebol. Mesmo assim, já ouvi muitos dizerem, cada qual da sua forma, que "no futebol somos pentacampeões do mundo". 

Pergunto a vocês: nós quem? Ora, nós, os que torcem pelo Brasil! Mas se nós, individualmente, não estávamos no campo de futebol quando a vitória ocorreu, por que ganhamos?

Ganhamos porque a identificação da vitória no esporte ocorre a partir da exibição simbólica de um grupo, geralmente chamado de "time", que representa no jogo uma amostra maior de indivíduos, chamada de "torcida". 

Explicando de forma mais simples, todos os que torcem para o Brasil vencem quando onze brasileiros vencem. É como se fosse uma vitória por amostragem.

Essa vitória por amostragem me lembra a vitória de Cristo na cruz.

"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." - João 16:33

Porque foi na cruz que Jesus venceu o mundo, e venceu o príncipe deste mundo, fazendo com que sua torcida, a igreja, vencesse com ele. 

E por igreja entendo todos os que creem em tal vitória, independente de religião. 

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." - João 3:16

"Todo aquele que nele crê", por sua vez, é uma frase que justifica porque nem todos os brasileiros vencem quando onze brasileiros vencem, mas, apenas os que torcem para o Brasil. Qual a diferença?

A diferença é que há brasileiros que não torcem para o Brasil, pelo contrário, e o mesmo ocorre com Cristo; pois, mesmo ele vindo como humano, nem todos os humanos torcem por ele.

Sem falar naqueles que não acreditam na vitória de Cristo como vitória de si mesmos, como alguém que dissesse "Pelé coisa nenhuma; se eu não joguei em 1970, eu não venci".

Sendo que nossa vitória existiu e existe porque Cristo é o único que podia jogar esse jogo e vencer! Ou você acha que "seleção brasileira" tem esse nome à toa? Cristo é a seleção de Deus, jogando pelo Reino dos Céus. Eis nossa seleção! Eis nossa vitória!

"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono." - Apocalipse 3:20,21

Amém!

13 de dezembro de 2019

Adão, quando interpelado pelo Senhor, disse que a culpa pelo pecado original foi de Eva; Eva, por sua vez, culpou a serpente. Assim somos nós, diante dos nossos pecados, buscando cobrir o nosso mal com o "mal pior" do próximo.

Por isso, diante do escárnio dos comediantes deste mundo, diante dos religiosos, diante de Eva, diante de Adão, diante de Deus, o que importa é fazer a confissão feita por Paulo:

"Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." - 1 Timóteo 1:15

4 de dezembro de 2019

Diante das catástrofes

É comum, ao vermos catástrofes acontecerem, julgarmos com muita certeza os culpados. Quem está no espectro político conservador, por exemplo, une-se aos seus iguais para culpar os que são de esquerda; do mesmo jeito, aqueles que se dispõem politicamente ao lado esquerdo unem suas armas para julgar os conservadores.

Dessa forma, cada lado cria muralhas e espadas com os cadáveres da catástrofe. Há, de fato, alguém atento ao desenrolar das mortes ou apenas queremos mostrar nossa própria e aparente sapiência? Há alguém interessado?

Claro que há. Há Deus.

Em sua Palavra, Deus diz que "preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos" (Salmos 116:15) e diz que “desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?" (Ezequiel 18:23). Existe, logo, uma distinção para os que morrem, uma distinção que conhecemos pela fé, sem podermos ver seu fim.

Se conhecêssemos a história de um homem que, sem culpa, foi entregue por Deus para ser açoitado e pregado em uma cruz, talvez ficássemos indignados com Deus. Agora, conhecendo a completude do plano que envolvia tal morte e vendo como são feitas novas todas as coisas a partir da ressurreição de tal homem, posteriormente compreendemos. Não será assim, também, com todo o resto da história?

Diante da eternidade a vida humana é um sopro. Assim sendo, aqueles que morrem só carregam de si mesmos uma decisão valorosa, "a saber: se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Romanos 10:9).

A discussão sobre as catástrofes, portanto, é infrutífera, porque não conhecemos seu desenrolar completo na eternidade. Deus se agrada da morte dos santos e se desagrada da morte dos ímpios, disso sabemos; mas como saber, agora, para qual fim foi erigida uma tragédia?

Esse tipo de postura é inaceitável para os descrentes, porém, porque eles só têm o mundo presente. Para eles tudo o que vale está aqui, no planeta corrompido em que vivemos, não fazendo sentido o plano eterno. Não é para incrédulos que escrevo este texto. Escrevo para os que, crendo em Cristo como Salvador, não sabem como lidar com as catástrofes do mundo. 

"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo", como diz o Senhor, em João 16:33.

Dessa forma, fiquemos em paz.

Deus conhece os que são Dele.

Amém!

8 de novembro de 2019

Meus caros, não se irem uns contra os outros, pois bem-aventurados são os pacificadores!

Todos nós somos pecadores, como está escrito "se afirmarmos que não temos cometido pecado, nós o fazemos mentiroso, e sua Palavra não está em nós" (1 João 1:10). No entanto, assim como Adão jogou a culpa em Eva e Eva jogou a culpa na serpente, costumamos apontar o pecado do próximo para cobrir o nosso próprio pecado. Os de esquerda fazem isso com os de direita e os de direita fazem isso com os de esquerda. Não está certo que seja assim!

Sobre o presidente do Brasil, dou a minha opinião pessoal: não queria que fosse o Bolsonaro, mas, sendo, oro para que ele aja com sabedoria sobre o país! Sinceramente, hoje não gosto totalmente de nenhum presidente que o Brasil já teve, porque o rei da nação para a qual fui comprado é perfeito, coisa que nenhum dos nossos líderes pode ser. Mas, como está escrito, "admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" (1 Timóteo 2:1-4). Seja o Lula ou seja o Bolsonaro, não está certo tratarmos com tanto ódio quem ocupa a cadeira de presidente, mesmo que seja um líder político que nos odeie.

Que Deus abençoe com sabedoria a todos vocês!

2 de novembro de 2019

A lei dos homens

Conheço suficientemente a minha carne para saber a desconfiança que a simplicidade me causa. Tal sentimento, porém, está em quase todas as outras pessoas que conheci, pois não sabemos nos pacificar com o simples amor de Deus; queremos éditos, novas diretrizes, adendos.

A salvação é simples: "quem ouve a minha Palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (João 5:24). Mas quão difícil é ter fé simples nisso! E, por conta da inquietude complexada nos corações, os homens criam anexos humanos à salvação, a partir de leituras isoladas das Escrituras. Então alguns dizem: "ai daquele que não guardar o sábado!" - mesmo que Cristo tenha trabalhado no sábado. E outros dizem: "ai daqueles que não se abstiverem do sangue!" - e deixam sofrer as crianças que precisam de transfusão de sangue, quando o Cristo Eterno perguntou "qual de vós, se lhe cair num poço um filho, ou um boi, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado?" E mais alguns: "ai de quem descumprir um dos dez mandamentos!" - enquanto em seus corações cobiçam, cobiçam, cobiçam.

Sobre estes, que pensam poder utilizar a santidade das palavras de Deus para causar o mal no próximo, Jesus falou no capítulo 23 de Mateus. Leiam.

Por conta dessas distorções das leis dos homens, experimentei uma sensação ruim ao visitar Ouro Preto e suas muitas igrejas de arquitetura barroca. Ao mesmo tempo que a beleza arquitetônica alegrava meus olhos, pensar nas restrições de raça que foram erigidas ali em outros tempos (isto é, os templos separados para negros e brancos) me entristecia ao mostrar que naquelas igrejas não necessariamente havia o amor do Senhor que me acolheu. Tanto ouro retirado com o sangue de escravos, tanta prata lavrada com os calos de pessoas tratadas como vermes nos templos erigidos sob a lei dos homens; pois, se houvesse a simplicidade do amor de Cristo, diferente dispensação que une todos os filhos e filhas de Adão sob a mesma Graça, não haveria tal atrocidade com os africanos, com os indígenas, com quem quer que seja.

Assim, Nosso Senhor disse: "portanto, tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas" (Mateus 7:12).

Ouçamos, pois, e cumpramos a Lei.

Amém!


8 de outubro de 2019

Para estar à vontade, estar na Vontade de Deus

Fui ateu, assíduo e vaidoso, ao longo de quase 10 anos. Mesmo durante esse tempo de escuridão, porém, o Senhor me cercava com seu amor, embora eu me escondesse, estando "preso na praça de Deus, como peixe em nenhuma rede", conforme João Guimarães Rosa. Para exemplificar, lembro que algumas vezes sonhei estar no Paraíso, salvo entre muitos salvos,  sentindo o êxtase pleno da Luz em meu coração, diante do único que É. Sentia-me plenamente feliz, até acordar triste por não ser verdade aquele sonho e, pior, por não poder ser, dado meu decrépito estado de descrença.

Eu queria, no fundo, ser o salvo entre muitos salvos. Lembro de ouvir uma música do Jorge Mautner, uma música nada religiosa, inclusive, chamada "Vivendo sem grilo", ouvi-la e confessar tal desejo luzidio em mim. Essa música diz algo como "na casa de Deus, onde não tem porta nem trinco, todos já estão de antemão perdoados e amados por toda a eternidade". Isto eu ouvia e pensava na maravilha de que todos, todos, todos estivessem de antemão perdoados e amados por toda a eternidade! Mas ainda permanecia no ateísmo.

Os anos se passaram, o Pai recolheu meus fragmentos e me nasceu para uma nova vida. A alegria que eu sentia sonhando, agora eu sinto vivendo; mesmo que em um mundo que nada tenha de Céu, tenho certeza de que já estou salvo, pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, e isso já é estar com Ele. Um exemplo dessa alegria é a benção de ter a Vontade de Deus, a sensação de reconhecer que na minha pequeneza pude querer o que o Criador de todas as coisas quer. Porque vi, naquela minha vontade de que todos, todos, todos se salvem, a Vontade de Deus, "pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1 Timóteo 2:3,4).

A mim, pó, minúsculo ser criado, Deus permitiu querer algo dentro de Sua Vontade, ainda antes da minha conversão! Isso é que é benção! Nada é melhor para estar à vontade do que estar na Vontade de Deus. E isso permaneço querendo: que todos, todos, todos sejam salvos!

Amém!



30 de setembro de 2019

Augusto Matraga sou eu, o salvo

"A Hora e a Vez de Augusto Matraga", conto de João Guimarães Rosa, é uma história que fala direto e firme com meu coração de salvo por Cristo. É a história de um homem muito mau, pior do que é de costume todos sermos, explorador, infiel, terrível, que passa pelo abismo das muitas humilhações possíveis, quase morto pensa em Jesus, tem suas feridas tratadas por um casal que lhe adota, converte-se, torna-se instrumento da Justiça, luta e morre.

Quem já leu o conto (ou viu alguma versão cinematográfica) sabe o que significou tornar-se instrumento da Justiça, tanto no auxiliar dos irmãos, quanto no duelo final com o bando do personagem mais bravo do sertão; pois Deus é tanto amor (1 João 4:8) quanto fogo consumidor (Hebreus 12:29). Esta significação, essa senda, passa desde a compreensão do próprio pecado, como vemos em seu bonito diálogo com o padre:

— Mas, será que Deus vai ter pena de mim, com tanta ruindade que fiz, e tendo nas costas tanto pecado mortal?!

— Tem, meu filho. Deus mede a espora pela rédea, e não tira o estribo do pé de arrependido nenhum... 

Passando pelo sentimento de impotência nesse mundo, resumido também pelo lindo diálogo com sua mãe adotiva:

— Desonrado, desmerecido, marcado a ferro feito rês, mãe Quitéria, e assim tão mole, tão sem homência, será que eu posso mesmo entrar no céu?!...

— Não fala fácil, meu filho!... Dei’stá: debaixo do angu tem molho, e atrás de morro tem morro.

E o reconhecimento da Graça:

Então, tudo estava mesmo muito mudado, e Nhô Augusto, de repente, pensou com a ideia muito fácil, e o corpo muito bom. Quis se assustar, mas se riu:

— Deus está tirando o saco das minhas costas, mãe Quitéria! Agora eu sei que ele está se lembrando de mim...

— Louvor ao Divino, meu filho!

E, uma vez, manhã, Nhô Augusto acordou sem saber por que era que ele estava com muita vontade de ficar o dia inteiro deitado, e achando, ao mesmo tempo, muito bom se levantar. Então, depois do café, saiu para a horta cheirosa, cheia de passarinhos e de verdes, e fez uma descoberta: por que não pitava?!... Não era pecado... Devia ficar alegre, sempre alegre, e esse era um gosto inocente, que ajudava a gente a se alegrar...

E isso foi pensado muito ligeiro, porque já ele enrolava a palha, com uma pressa medonha, como se não tivesse curtido tantos anos de abstenção. Tirou tragadas, soltou muitas fumaças, e sentiu o corpo se desmanchar, dando na fraqueza, mas com uma tremura gostosa, que vinha até ao mais dentro, parecendo que a gente ia virar uma chuvinha fina.

Não, não era pecado!... E agora rezava até muito melhor e podia esperar melhor, mais sem pressa, a hora da libertação.

Até Augusto chegar naquilo que quem já leu sabe e quem não leu saberá se ler.

O que me alegra e faz o reconhecimento ocorrer entre este personagem e eu é a nossa salvação, este vislumbrar parcialmente um caminho que de tão longo dá vertigem, e que de tão eterno dá certeza. Este "ontem já era hoje, mas eu não sabia" que se torna "amanhã, quando entender, hei de sorrir". O coração perdoado primeiro por Deus e depois por si mesmo. Sempre alegre, desde então.

Alberto da Costa e Silva, amigo de Rosa, contou, em uma entrevista, que João dizia: "Eu quero escrever de tal maneira que, quando chegar no Juízo Final, valha". Augusto Matraga, que não existe ou existiu, tinha o mesmo desejo de transformar a mesquinharia da própria existenciazinha em Louvor. Matraga, João, eu, tantos outros!

Quando chegar no Juízo, que valha! Porém, já fui salvo.